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a mãe dos PP's

Mãe coragem?

Estava a ver televisão e reparei que chamaram mãe coragem a uma rapariga que entrou no desafio final da casa dos segredos.

Pus-me a pensar(): mãe coragem... o que é ser mãe coragem e porque merda chamam a esta mulher de mãe coragem?

Pensai comigo:

Creio que, mãe coragem somos todas a partir do momento em decidimos dar á luz um filho que nos sai pela passarinha prima (e até hoje não entendo tamanha capacidade feminina e os meus PP´s nasceram de parto normal) e ainda que tivessem nascido de cesariana eu também me consideraria mãe coragem. Parir nem é, sequer o mais doloroso de ser mãe.

Todas abdicamos e morremos um pouco para nós mesmas a partir do momento em que se tem um filho, pois  tudo muda ( mudam as rotinas, mudam as prioridades, muda a mãe, muda o pai, muda o sexo (quiçá pra melhor...após a escassez inicial de quando nasce o rebento) muda a paciência, muda o estado emocional, muda a capacidade de aturar pitafes alheios)

Todas, todinhas damos o cu e oito tostões por um banho relaxante, por uma refeição quentinha, por um cafézinho no café que fica já ao virar da esquina.

Todas nos cagamos borramos de medo quando não conseguimos acalmar os putos, todas choramos na primeira vacina, todas ficamos doidas e dementes de cansaço.

Todas desejamos pelo menos uma vez, que os putos comecem a comer porque já não os aguentamos pendurados das mamas e... credo como às vezes demoram a mamar . Só o marido se delicia  com o tamanho das mamas enquanto amamentamos.

Todas sentimos a falta de tempo até para cagar  ir ao wc sózinhas, sem o choro que vem da sala. Todas desesperamos, todas achamos que devemos marcar consulta de psiquiatria, todas achamos que não vamos dar conta do recado.

Todas temos imenso trabalho e toda a gente pensa que temos tempo para sentar no sofá a coçar a passarinha prima, mais ou menos assim:

Então, se somos todas mulheres, se todas parimos e sentimos dor, se todas choramos, panicamos, desesperamos e enlouquecemos com a maternidade e se todas achamos que depois do parto ficamos com a passarinha prima meio bamba...

Porque raio chamam mãe coragem à rapariga só porque deu uma queca com o homem errado???????  Foda-se

Não choquei ninguém, certo? 

 

 

Coisas que me abalam o pífaro

Existe uma tabela cheia de nove horas que estabelece a normalidade das crianças. Há parametros a cumprir assim que nascem, senão ou são lentinhos ou avançados demais na cena e convenhamos que com a isto a sociedade não lida muito bem.

Vejamos:

Os putos têm três meses no máximo para controlar o pescoço e os movimentos com a cabeça, mas o ideal é nascerem já a abanar o capacete :

Têm até aos cinco meses para se sentarem de modo a que o vento não os abane ou o lobo mau não os assuste quando fizer "bu" :

Têm até aos 18 meses para começarem a andar, mas o ideal mesmo é já correrem aos 9 meses:

Devem começar a tirar a fralda o mais tardar aos dois anos, não queremos cá crianças caquéticas mijonas... e no caso dos meninos é começar a fazer logo de pé: (não sei porquê, falham a sanita mais que o papá )

Aos dez meses já podem comer um bife de vaca ainda meio viva e aos pulos de garfo e faca na mão: mas não querem, não sei porquê:

E têm que se despir e vestir sózinhas até aos quatro anos, senão são atrasados e têm um problema qualquer que não lhes permite serem desenrrascados.

E talvez já possam tomar banho sózinhos aos cinco anos e sair à noite aos dez anitos e... pronto...

Agora entendo porque é que se diz por aí que as crianças crescem depressa demais.

 

 Estas coisas dão me um abalo ao pífaro que me estrangola a gaita!

 

 

Sobre as coisas da família

Fui ao Jardim de infância do P maior apresentar a árvore geneologica da família. Elaborámos uma árvore até aos bisavós dos PP´s.

Evidente que pouco sei dos meus avós, tendo em conta que só conheci uma avó, mas falei do que sabia e fui ouvindo ao longo da vida. Depois expliquei todo o ramo correspondente à família do pai dos PP´s ( nunca vi ninguém mais gordo,nem mais magro) mas falei das poucas informações que me foram facultadas.

Fiz uma conversa toda linda e maravilhosa e os putos não ligaram um cu ao que eu estava a dizer...consolou-me a atenção da educadora e da auxiliar.

Mas se eu soltasse a pessoa que há em mim eu tinha dito o seguinte:

"Crianças chatas e embirrantes ( á excepção do meu P  )que testam a paciencia a qualquer santo, eu vou falar e quero que todos calem a matraca até ordem contrária.

Vim de uma família linda e maravilhosa, santa e intocável, só conheci uma avó. Do que ouvi falar, todos eles eram boa gente, à excepção de um, e pelo que percebi dos testemunhos recolhidos não perdi muito em não ter conhecido!

Coitado, não está cá para se defender.

A família do pai dos PP´s é outra que tal. Tudo boa gente, não conheci ninguém dos mais antigos e dos mais recentes pouco...(se calhar é melhor assim), se não fossem eles eu nunca tinha percebido o significado da palavra CUNHADA e...oh meu Deus como lhes agradeço por tal ser em minha vida! Amo a senhora de paixão."

A minha mãe sempre achou frio e inapropriado que eu achasse que família se resume a pai,mãe,avó,avô e filhos. Mas eu explico sempre que sou uma pessoa prática que escolhe apenas quem lhe agrada ter no ramo familiar 

Terei mau feitio? Não acho . Toda eu sou um ser genuíno e transparente 

Isto não é uma piada sarcástica

Quantas camionetas da carreira, quantos pedidos às Câmaras Municipais para emprestar carrinhas e camionetas para que o povo lindão e devoto faça um último adeus ao papá da democracia? Hum... 

É isto que eu invejo, mesmo depois de morrido,morto,finadinho,faz um percursso todo chique e bem e aposto que as velhinhas e os velhinhos vão chorar de emoção. 

Juro. Quando morrer também quero sassaricar antes de ir para a cova.

Inadmissivel, que crueldade, tinha 92 anos e uma vida toda pela frente. 

 (vão me queimar as orelhas,certo?  )

 

A mãe da mãe

Uma vez, numa feira, a minha mãe comprou me uma corneta de brincar. Eu devia ter uns quatro anos.

Conta-me que atirou a corneta para cima do telhado por não aguentar mais que eu tocasse aquilo. 

Neste Natal, ofereceu um tambor ao P maior.

Alguém me guie e me diga para onde atire a merda porcaria do tambor???????

Um filho asperger?

Hoje o meu post recai um pouco em tons mais sérios.

Nunca aqui o disse, mas há cerca de sete ou oito meses atrás, fui confrontada com a possibilidade do P maior ser uma criança com sindrome do asperguer do autismo, que é um espectro do autismo mais leve que o comum.

O P maior, com 20 meses,sabia o alfabeto e contar perfeitamente até 20. Sim, o meu filho começou a falar com 14 meses e começou a andar com dois anos.

Quando nos apercebemos que o garoto tinha uma inteligencia acima do suposto e um nível motor menos desenvolvido desabafámos com a pediatra que nos encaminhou para consultas de neurodesenvolvimento.

Numa dessas consultas, após várias perguntas, foi nos dito que o menino poderia ter traços autistas, coisa que me deixou, como se diz em bom português, com os tomates caídos. Após alguma informação e pesquisa, saí desse estado de espirito e percebi o que era o autismo: Crianças normais, com caracteristicas diferentes. Ponto final. Simples.

Preparei-me e esperava um diagnóstico positivo. Apenas vivi na ansiedade de ter "ferramentas" para o ajudar nas suas limitações.

Então, para que se concretizasse um diagnóstico correcto, o miúdo teria que ir para o jardim de infância, para percebermos se socializaria bem ou não com outras crianças.

Primeiros tempos, nada animadores. O P maior tem um fascínio por uma coleguinha, que já aqui tenho referido e pronto. Enquanto os meninos brincam, ele prefere ler e contar.

Fomos hoje saber o diagnóstico correcto. Confesso que após ler o relatório da educadora, me senti apreenssiva e ia à espera de algo mais grave.

Afinal o P maior, é um garoto sem características autistas, com um nível cognitivo acima da média e uma timidez ultrapassável com a idade. Tem um óptimo contacto ocular e gosta de afectos. Pelo que tudo o que ele sinta ter mais dificuldade, terá uma capacidade gigante de se auto ajudar.

Fiquei feliz! Respirei de alívio.

Mas fiquei a conhecer melhor o autismo, vivi com ele na sombra e tive medo de não ser uma mãe à altura das características do meu filho.

Volto a referir com conhecimento de causa que crianças autistas são  Crianças normais, com caracteristicas diferentes. Ponto final. Simples.

E eu pensava que não, eu pensava que não eram crianças "normais". Eu envergonho-me do que pensava.